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Mau tempo não travou vendas recorde da Vitacress
Público
2017-02-11


Facturação da empresa de saladas embaladas subiu 8%. Em Berlim, na maior feira do sector, portugueses procuraram novos clientes

A Vitacress atingiu em 2016 vendas recorde, somando 25 milhões de euros, mais 8% em comparação com o ano anterior. Luís Mesquita Dias, director-geral da empresa, do grupo RAR, adiantou ao PÚBLICO que o ano teria corrido ainda melhor não fossem as más condições climáticas. “Tivemos dois episódios de mau tempo”, disse, acrescentando que nesses períodos foi preciso “focar mais no mercado interno”.

As vendas em Portugal e Espanha cresceram 15% graças ao aumento do consumo. “É uma categoria em crescimento e ganhámos quota de mercado”, disse ao PÚBLICO, durante a Fruit Logística, a maior feira de frutas e legumes na Europa, que terminou ontem em Berlim. Luís Mesquita Dias acredita que este ano será possível aumentar a facturação entre 5% e 10%. “Prevemos que o mercado continue a crescer a nível interno e que as exportações possam crescer bastante. Temos feito muitas visitas ao Norte da Europa e o facto de ter sido um Inverno mau nos países onde se abastecem [sobretudo Espanha] faz com que tenham apetência por Portugal, para diversificarem”, conta.

O frio danificou a produção de legumes no país vizinho, um dos principais abastecedores da União Europeia. Os países do Norte da Europa querem, por isso, alargar a base de clientes, o que pode favorecer os agricultores portugueses. “Se, por exemplo, 15% dos que compravam a Espanha passarem a comprar a Portugal, é bom para nós”, diz Luís Mesquita Dias.

Actualmente, 65% da produção da Vitacress é exportada. Além de Espanha e do Reino Unido, os principais clientes são a Alemanha, a Polónia, a Suécia, a Noruega, a Holanda e a Bélgica. Nos 280 hectares que tem em Portugal, cultiva alfaces e outros vegetais que são lavados e embalados para consumo imediato. “A área não tem variado, cada vez estamos é a ocupar mais a área disponível. No Verão tínhamos uma ocupação baixa, porque os nossos clientes procuram-nos, sobretudo, no Inverno”, altura em que o clima é mais rígido no Norte da Europa, conta o director-geral. “Um pouco devido às alterações climáticas estamos a ter mais procura”, continua, acrescentando que com verões “mais agressivos” no seu mercado doméstico os parceiros europeus têm procurado outras alternativas para se abastecerem.

Diversificar mercados
Esta semana em Berlim, cerca de 40 empresas e organizações tentaram captar novos clientes e fechar negócios naquela que é a principal feira do sector da Europa. A Central de Frutas do Painho, por exemplo, teve pela primeira vez contactos com potenciais clientes da Arábia Saudita, Colômbia e Ucrânia, mercado que “por norma não consomem pêra-rocha”, diz Carlos Miguel Henriques, presidente da central, onde a pêra-rocha vale mais de 95% das vendas. Ana Santos, da Granfer, também destaca a estreia das vendas para a Colômbia, mercado para onde Portugal só começou a exportar pêra em 2016. “Enviámos dois contentores [dez mil quilos] para a Colômbia e é para continuar”, diz. A empresa faz parte da Fresh Fusion, que junta 13 produtores na exportação de pêra-rocha.
 

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